MITOLOGIA TURCA: O HERÓI URAL-BATYR
Ural-batyr, na mitologia turca dos povos basquires, é o nome de um herói lendário tal como Beowulf ou Siegfried, por exemplo.
O grande propósito de Ural-batyr se assemelha ao de Gilgamesh na mitologia suméria, ou seja, a busca pela imortalidade. Para isso, ele precisa beber de uma água com propriedades sobrenaturais, e parte para esta aventura acompanhado de seu irmão Shulgen.
Shulgen, no entanto, é traiçoeiro e maligno, assumindo posteriormente no épico um papel ligado às sombras e às trevas. Ural-batyr, em sua jornada heróica, enfrenta monstros de todos os tipos e inclusive chega a duelar contra o terrível Azraka, o rei dos espíritos malignos e gigantes.
Com sua espada mágica, Ural-batyr enfrenta todos os espíritos malignos possíveis, criaturas mais conhecidas como daevas, que podem ser consideradas como demônios das trevas. Os daevas haviam invadido toda a terra, e o mundo estava imerso num completo caos em meio a ondas de destruição.
Mas Ural-batyr lutou contra todos esses demônios, triunfando sobre eles e em seguida duelando contra o próprio Azraka. Na batalha que se seguiu, Ural-batyr consegue cortá-lo ao meio, e o corpo de Azraka cai em direção ao mar, marcando outro grande triunfo do herói do épico.
Porém, ainda havia Kakhkakha, o grande rei das serpentes, que tinha em seu palácio nada menos que uma serpente com nove cabeças! Ural-batyr a derrota, e em outra ocasião vai atrás do próprio Kakhkakha, que por muitos anos mantinha um reinado de terror em todos os seus domínios.
Ural-batyr enfrenta o rei das serpentes e, neste confronto, também o mata, cortando-o em pedaços em seguida. Mas, mesmo com a morte de Kakhkakha, Ural-batyr ainda teve que enfrentar o próprio irmão, Shulgen, que estava armado com um cajado mágico. Ural-batyr, porém, consegue derrotá-lo com um golpe e o detêm, mas não o mata.
Shulgen, que sempre foi muito habilidoso com as palavras, finge estar profundamente arrependido de seus atos, e Ural-batyr acredita nisto. O mais interessante, porém, é o que acontece depois disso tudo, quando Ural-batyr descobre a fonte da vida que ele tanto procurava, onde teria a água que poderia conferir a todos a imortalidade.
Só que, quando um velho homem bebe da água, ele é, na verdade, condenado a viver para sempre com o mesmo sofrimento de antes. Isto porque o significado de viver para sempre traria, aparentemente, a ideia de juventude eterna, mas o tempo é irrefreável e continua a passar de qualquer forma.
Diante disso, Ural-batyr aprendeu o verdadeiro significado da vida, compreendendo também que a morte é um evento natural e necessário. Mais do que isso: sua imortalidade seria alcançada em outro sentido, isto é, no sentido de que seus bons feitos ecoariam por toda a eternidade. Uma conclusão bem similar à que encontramos na epopeia suméria de Gilgamesh, portanto.
Comentários
Postar um comentário