Mitologia Nativa dos Yanomami

     Desde muitos séculos atrás, os povos indígenas Yanomami já habitavam a região da floresta amazônica. Assim como outros povos indígenas da América, os Yanomami possuem uma visão animista do cosmos: tudo possui um espírito, que pode ser benigno ou maléfico. Acredita-se que seria possível entrar em contato com os espíritos por meio dos xamãs, que poderiam tentar apaziguar a fúria dos trovões e tempestades por exemplo.
    Cada força da natureza era personificada por espíritos: os Hutukarari são os espíritos do céu, os Yariporari são os do vendaval, os Yãpirari são os dos raios e os Yãrimari são os do trovão. Contudo, os Yanomami possuem também um deus principal: Omama, a divindade ancestral. Omama, em uma das narrativas, plantou uma árvore mítica que distribuía seus cantos e melodias para os seres espirituais, e um desses espíritos era ninguém menos que Yorixiriamori.
    Yorixiriamori encantava e seduzia as mulheres com o seu canto, e os demais homens tentaram matá-lo, por inveja. Fugindo, Yorixiriamori se transformou num pássaro e voou para longe, nunca mais voltando. A árvore mítica também teria desaparecido com ele. De qualquer forma, as intenções do deus criador Omama são tidas como benignas, pois Omama representaria de fato a bondade.
    Contudo, enquanto Omama é uma divindade benigna que traz a vida, seu irmão Yoasi é a contraparte maligna na mitologia Yanomami, trazendo a morte. Se Omama é a vida e a cura, Yoasi é a morte e a doença. Esse confronto constante entre Omama e Yoasi também está presente em outros mitos nativos, como o dos astecas, em que há uma intensa disputa entre o Quetzalcoátl (Tezcatlipoca Branco) e o seu irmão Tezcatlipoca Negro.



Imagem: PIXABAY

   
 
 

Comentários

  1. Excelente postagem Nícolas, eu acredito que a árvore melodiosa desapareceu logo que Yorixiriamori fugiu. Porque se os homens enraiveceram com os belos cantos dele, concedidos por Omama. Então, eles não tem direito mais de escutar os cantos melodiosos da árvore que o mesmo deus plantou.

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  2. O fato dos homens não poderem mais ter contato com a árvore que fazia bem a eles, devido a sua maldade. Assemelha ao judaísmo-cristão, no fato dos homens pelo pecado original, seu mal, foram expulsos do Éden, que tem a Árvore da Vida, que lhes faria o bem de conceder a vida eterna.

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