MITOLOGIA DA AMÉRICA DO NORTE: OS POVOS QUE HABITAVAM O ÁRTICO
Os inuítes (esquimós) eram os povos que habitavam as regiões árticas da América do Norte, como o Alasca, Canadá e Groelândia. A mitologia desses povos carrega uma profunda concepção animista, ou seja, de que tudo possui uma alma, desde os seres vivos até os objetos da natureza. Sila, para esses povos do ártico, era a divindade que governa o mundo. Talvez, possamos fazer uma associação de Sila com Wakan Tanka, o grande mistério e espírito do mundo, segundo os lakotas (que se espalhavam na região que hoje corresponde ao norte dos EUA). Sila também seria uma espécie de espírito do mundo, portanto, tanto do céu, quanto do vento e da neve.
Sedna é, por sua vez, a deusa do mar, que possui uma história bastante interessante: antes, ela era uma mortal que foi seduzida por um estranho vestindo um capuz. Esse homem a levou para suas terras que, para o desgosto de Sedna, era um lugar terrível. E o homem que lhe trouxera, na verdade, era um bruxo, uma espécie de espírito perverso que a manteve lá por muito tempo. O pai de Sedna, ao saber do que aconteceu, resgata a filha e tenta fugir, mas o espírito transforma-se num enorme pássaro que provocava terríveis tempestades, forçando o pai de Sedna a jogar a própria filha no mar. Sedna ainda se agarrou na beirada do barco, mas seu pai cortou seus dedos com um machado. Os dedos de Sedna transformaram-se nas baleias do Ártico.
Foi assim que Sedna tornou-se uma divindade do mar, que nutria profundo ódio pelos seres humanos e, por isso, era muito temida pelos inuítes. Existe também a figura do Amarok, um lobo enorme que devora os caçadores que se aventuram sozinhos pela noite. Os caribus eram a base da vida desses povos, pois os inuítes comiam da carne desses animais e faziam suas roupas a partir da pele deles. No entanto, quando os caribus começaram a ficar fracos, de acordo com a mitologia, é que veio o lobo gigante Amarok de um buraco no gelo, cuja função era devorar os animais doentes. Indiretamente, isto fez com que os seres humanos se beneficiassem, pois poderiam continuar caçando apenas os caribus fortes e saudáveis.
Me parece que o surgimento de Amarok para a superfície, para devorar o caribus doentes, tem secretamente o ideal de que a natureza pune os fracos, ou seja, apenas aqueles que evoluem e transmitem seus genes, são dignos da sobrevivência. O ditado: Os mais fortes sobrevivem. Creio, que por ser um povo primitivo, assim, com o predomine-o das atividades de sobrevivência, fez inserir este ideal no mito.
ResponderExcluirSem dúvida existe um pouco dessa concepção sim, mas até porque, na época, a condição de vida era bastante difícil, eu imagino. Principalmente para esses povos do ártico, onde as temperaturas podiam chegar em até 20 graus negativos. Mas é verdade, tem um pouco dessa ideia.
ExcluirAmarok pode representar todos os animais e fenômenos naturais que levam a morte gradativa de espécimes: as forças da natureza. Neste caso, as forças do ártico, ou a Força do Ártico.
ResponderExcluirSim. De fato, a própria seleção natural de Darwin né
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