Mitologia Grega: Jasão

    Jasão é um herói grego que veio da região da Tessália na cidade de Iolcos, que quando criança foi educado pelo centauro Quíron (uma criatura metade homem, metade cavalo). Pélias era o tio de Jasão na mitologia, que usurpou o trono do irmão e agora temia que Jasão viesse a reivindicar o que era seu por direito. Assim, Pélias o envia para uma missão num lugar muito distante para trazer o velo de ouro, que é a lã de ouro de um carneiro alado chamado Crisómalo. Obviamente, a intenção de Pélias era com que Jasão fosse morto durante a jornada para nunca mais voltar. Jasão, então, mandou construir um enorme barco que recebeu o nome de seu próprio construtor, Argos, e convoca todos os guerreiros dispostos a ajudá-lo na jornada, e estes homens ficaram conhecidos como argonautas.

    Dentre os argonautas, estão heróis como Argos, Laertes (pai de Odisseu), Hércules, Filoctetes, Orfeu, Peleu (pai de Aquiles), Heitor (príncipe troiano) e Teseu. Juntos, totalizavam 50 homens. Em uma das aventuras, eles chegaram na ilha de Lemnos, onde ficaram na companhia de muitas mulheres guerreiras, as únicas habitantes de lá. Posteriormente, Hilas - o escudeiro de Hércules - acabou sendo atraído por ninfas (espíritos femininos) e ficou para trás, no que o próprio Hércules também larga a jornada e procura por seu escudeiro. Depois, o rei Âmico desafia um dos argonautas para uma luta a mãos livres até a morte, e é Pólux quem o matou aos socos.

    Não se pode deixar de mencionar o autômato gigante Talos. Talos, dentro da mitologia grega, é uma criatura que podemos entender por um "robô" gigante que protege a ilha de Creta. Talos é feito de bronze, e é impressionante que os gregos antigos pudessem imaginar algo tão engenhoso como um autômato para uma época tão antiga. Havia, no tornozelo do autômato, um pequeno orifício com uma tampa que evitava que o seu sangue (metal derretido) vazasse para fora. Dessa maneira, Jasão consegue se aproximar do enorme autômato e retira a tampa com o auxílio de sua lança, derrotando Talos. 

    Nisso, continuando a viagem, Jasão e os argonautas derrotam as harpias (aves de rapina com o rosto de mulher - sim, elas são fisicamente parecidas com as sereias que aparecem nas aventuras de Odisseu, mas estas últimas cantam para atrair os marinheiros enquanto que as harpias roubavam comida das pessoas), ajudando o profeta Fineu. Em troca, Fineu os alertou a respeito de duas rochas flutuantes que se moviam e esmagavam qualquer embarcação que tentasse passar pelo meio delas. Assim, os argonautas soltaram um pássaro na frente e remaram com toda a força atrás dele, pois, quando as rochas se entrechocaram e pegaram de raspão na cauda do pássaro - que já as havia atrevassado -, o navio Argos vinha logo atrás para dar tempo das rochas abrirem novamente e, só depois, voltarem a se fechar. O navio perdeu apenas parte da estrutura traseira ao passar, mas os argonautas conseguiram realizar tal desafio.

    Mais adiante, o rei Eetes condicionou a entrega da lã de ouro caso os argonautas colocassem uma parelha em dois touros que expeliam fogo pelas narinas para que pudessem arar o campo. Depois disso, Jasão ainda teve que matar um dragão e semear seus dentes naquela terra arada, da qual brotaram guerreiros esqueléticos já armados que tentaram matar os heróis. Mas, ao final, os argonautas conseguem derrotá-los. Em meio a tudo isso, a filha de Eetes, Medeia, apaixona-se por Jasão.

    Os argonautas conseguem, finalmente, a lã de ouro, mas o rei Eetes descumpriu com sua palavra aprisionando Jasão. Com a ajuda de Medeia, felizmente, Jasão e os argonautas retornam ao seu navio e partem de volta à Tessália, levando junto a própria Medeia. Na viagem de volta, os argonautas ainda passaram por diversas outras complicações, como fortíssimas tempestades e ataques de monstros e gigantes.

    Porém, quando os argonautas finalmente conseguem retornar, Pélias se recusa a conceder o trono ao sobrinho, e Medeia arruma um jeito de tramar a morte do tio de Jasão. Com a morte de Pélias, Jasão optou por entregar o trono a um de seus heróis, e fugiu com Medeia para Corinto onde tiveram dois filhos. Dez anos se passaram desde então, até que, para a desgraça de Medeia, o rei Creonte acaba oferecendo o próprio trono a Jasão e este o aceita, tendo que desposar a filha do rei, Glauce. Medeia, assim, transtornada, tramou o assassinato de Glauce e do próprio rei Creonte, e daí ouvimos a expressão "Síndrome de Medeia", pelo fato dela também ter matado os próprios filhos para ferir Jasão (esta síndrome consiste em um dos genitores usar os filhos como instrumento para causar sofrimento no outro genitor). O tempo se passou e, um dia, enquanto Jasão estava em seu antigo navio Argo se recordando de seus grandiosos feitos no passado, uma viga acidentalmente se soltou do alto do mastro e acertou-lhe na cabeça, ferindo-o mortalmente.

    A história de Jasão e os argonautas é uma das mais impressionantes da mitologia grega, pois reúne vários heróis numa mesma aventura, com direito a um final trágico característico de muitas outras histórias da Grécia Antiga. Em 1963, foi feito um filme estadunidense chamado Jasão e os Argonautas, que mostra a jornada de Jasão em busca da lã de ouro, ou seja, o velocino (velo) de ouro.






  
 
  Imagens: PIXABAY


    

Comentários

  1. Creio que o fato de Pélias por medo de perder o trono, enviar Jasão para buscar o velocino de ouro, ocosionando em grandes feitos na sua vida, representa que os outros podem nos levar a situações perigosas por más intenções, mas estas podem ser na verdade benéficas. Foi preciso haver o medo de Pélias para existir o Argos de Jasão.

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    1. Exato! Inclusive, se você se interessou por essa lenda, aconselho a ver um filme chamado "Jasão e os Argonautas", de 1963.

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