Mitologia Nórdica - Draugr

    Os Draugr, na mitologia e folclore nórdicos, são aqueles guerreiros que não tiveram uma morte gloriosa e que não foram trazidos pelas valquírias até o grande palácio de Odin, o Valhalla. Assim, seus espíritos estão condenados a permanecer no próprio corpo, fazendo deles uma espécie de morto-vivos. Mas, diferentemente dos zumbis, os Draugr possuem inteligência e também consciência. Dessa forma, os guerreiros nórdicos que morreram em situação desonrosa e que não foram para Valhalla voltam dos mortos para se vingarem, indo atrás daqueles que lhes prejudicaram.

    O Draugr é descrito também como uma criatura extremamente zelosa em proteger seus tesouros (geralmente, os grandes chefes de guerra eram enterrados com seus tesouros) e pertences pessoais, matando qualquer um que tentasse roubá-los. Os Draugr possuem habilidades como aumentar de tamanho para matarem suas vítimas e são movidos por um forte desejo de vingança - o que confirma o fato de que eles não perdem a consciência ou algo do tipo. Na Saga Eyrbyggja, um guerreiro muito violento chamado Thorolf Twist-Foot volta como um Draugr após a morte e, mesmo após ter sido queimado e derrotado, nunca deixou de continuar a assombrar o local onde fora definitivamente enterrado - pois tudo o que passava por lá perdia a vida.

    Também na chamada Saga de Grettir, o Forte, escrita já na época onde o cristianismo vigorava com mais força (sendo, portanto, uma história com elementos que enalteciam tanto os antigos valores pagãos quanto os valores cristãos), aparece um Draugr chamado Glam que é confrontado por Grettir. Grettir vence a batalha, mas acaba sendo amaldiçoado pelo Draugr e se transforma num fora da lei, vindo a lutar com outras criaturas como trolls ou gigantes, fazendo muitos inimigos. É assim que se dá o contexto da batalha entre Grettir e o Draugr:

    Grettir enfrentaria este gigantesco ser fantasmagórico, Glam, numa fazenda. Grettir cobriu o próprio corpo com uma pele de carneiro, esperando o inimigo aparecer. Quando o terrível morto-vivo se aproximou, já no escuro da noite, ele agarrou a pele de carneiro que cobria Grettir e a puxou - mas Grettir, o caçador de fantasmas, também puxou a capa, e ela se rasgou ao meio. Essa foi a oportunidade pela qual Grettir estava esperando: mesmo no escuro da noite, Grettir pulou em cima do inimigo e tentou derrubá-lo.

    Mas o Draugr era mais forte e fazia de tudo para fugir dali, enquanto que Grettir tentava puxá-lo para dentro da casa, onde teria mais chances de vitória do que no campo aberto. Percebendo que iria perder, Grettir usou a inteligência e parou de fazer força para trás, começando a empurrar o inimigo para fora: foi uma brusca mudança de direção, que fez com que o Draugr caísse de costas.

    Grettir, agora, poderia matá-lo. Mas, antes, ele ficou pasmo e incrédulo ao contemplar o horripilante rosto do Draugr, iluminado pelo luar. Então, decepou sua cabeça. Mas a visão horripilante do morto-vivo assombraria nosso herói para sempre. Após queimar o corpo de Glam, Grettir passa a agir de forma estranha, atordoado pela visão que teve do terrível rosto do fantasma: nisto, ele se torna fora da lei, uma vez que seu temperamento emocional ficara cada vez mais destrutivo numa violência cada vez pior, em razão da maldição lançada pela assustadora visão que teve.





Imagem: PIXABAY
        


 

Comentários

  1. Excelente postagem Nícolas, creio que Odin ordenara as valquírias a não trazer a Valhala os guerreiros que não morreram honrosamente em guerra, pois estes não seriam dignos de combater junto aos deuses no dia do Ragnarok. Sendo condenados a terem a imagem deste terrível dia, onde o mundo permaneceria, mas destruido. Da mesma forma que o guerreiro subsistiria, mas putreficado, como Draugr.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog