Mitologia Árabe
Os povos que habitavam a Arábia, península do continente asiático que faz divisa com o Egito na África, eram originalmente politeístas. Os deuses da cultura árabe são bem interessantes devido ao fato de que esses povos assimilaram em sua própria tradição as divindades oriundas do Ocidente. Dentre seus principais deuses, estão Hubal (associado ao deus Baal dos povos semitas, Hubal é apontado como o mais importante dos deuses árabes), Manat (deusa do destino), Al-Lat (deusa da lua), Al-Uzza (deusa da fertilidade e da chuva nos desertos árabes, descrita como "A Poderosa"), Amm (deus dos relâmpagos e do tempo climático), Dhu Shara (o "Senhor da Montanha", associado a Zeus) e Al-Qaum (deus da guerra e protetor do clã). Mas talvez a mitologia árabe seja por nós conhecida não exatamente pelos seus deuses, mas por suas criaturas sobrenaturais.
A começar pelo gênio, o Jinni. Os Jinni podem ser tanto benignos quanto malignos, e possuem a habilidade de assumir a forma humana por exemplo, mas eles são descritos como feitos de fogo ou de ar. Esses seres possuem a capacidade de transitar entre o mundo invisível e o mundo material, aparecendo no famoso compilado árabe do século IX As Mil e Uma Noites e que posteriormente foi traduzido para o francês. Sendo os Jinni feitos de ar ou de fogo, eles podem se esconder em inúmeros lugares como anéis, garrafas, lamparinas ou tapetes. O personagem Aladim, de um dos inúmeros contos do livro As Mil e Uma Noites, é auxiliado em suas aventuras por dois gênios, dois Jinni: um que vive numa lâmpada e outro que vive num anel. O gênio da lâmpada confere a Aladim inúmeros desejos ao longo da história, enquanto que o número desses desejos se limita a três na versão que conhecemos da Disney.
Outro desses contos diz respeito ao personagem Ali Babá. Ali Babá é um pobre lenhador que presenciou quarenta ladrões a cavalo entrando por um passagem dentro de uma rocha, e deixando lá inúmeras caixas. Para entrarem, disseram "Abre-te, Sésamo" e, quando saíram lá de dentro, disseram "Fecha-te, Sésamo". Obviamente, Ali Babá repetiu a frase quando os homens foram embora e encontra preciosos tesouros nas caixas dos quais leva uma parte consigo, e a trama da história se desenrola quando o irmão de Ali Babá também entra pela fenda na rocha mas acaba sendo morto pelos quarenta homens. Ao final, Ali Babá, com a ajuda de uma escrava chamada Morjana, consegue fazer com que todos os quarenta ladrões sejam mortos, ficando com todo o tesouro.
Outro dos contos, ainda, fala sobre a história do gênio e do pescador. Um jovem pescador, com sua rede, acaba por puxar do mar uma garrafa velha, dentro da qual surgiu um Jinni. Quando o gênio saiu da garrafa, estava com muita fome e preparou-se para comer o pescador, mas este consegue enganar a criatura sobrenatural, dizendo que não acreditava na possibilidade de um ser tão enorme caber dentro de uma garrafa tão pequena. O Jinni, devido ao seu orgulho, mostrou ao pescador que ele realmente tinha saído da garrafa, e voltou novamente para dentro, quando o pescador fechou a boca do recipiente.
Além dos Jinni, também há os chamados Ghoul, que são criaturas canibais que habitam no subsolo ou nos desertos. Um Ghoul possui a habilidade de mudar de forma, em função da qual pode enganar os viajantes e atraí-los até o deserto para devorá-los. Em um dos contos de As Mil e Uma Noites, um Ghoul se transforma numa bela donzela para enganar o príncipe Sidi Nouman. Porém, as chamadas Nasnas são criaturas igualmente monstruosas: são descritas como sendo um ser humano pela metade, com meia cabeça, meio corpo, um braço e uma perna. Essas criaturas são a prole do cruzamento entre seres humanos e os Shiqq (criaturas monstruosas pela metade, daí a razão pela qual sua prole seriam humanos pela metade).

Interessante é que Baal é o deus da fertilidade, trovões e dos céus, ele tem parte do poder de Al-Uzza, e assemelha-se ao poder de Amm por este ser o deus dos relâmpagos.
ResponderExcluirParece que os povos árabes realmente se inspiraram bastante em outras culturas, principalmente na greco-romana.
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