Mitologia Celta na Wicca
Wicca é uma religião criada no século passado e que foi amplamente divulgada por escritores como o britânico Gerald Gardner, envolvendo bruxaria, ocultismo, magia e outras práticas nesse sentido. A ideia desta religião era ser uma revivificação de crenças pré-cristãs da Europa, e possui doutrinas próprias, que geralmente são bem flexíveis.
Assim, para os wiccanos, existe a Deusa Mãe, que é a divindade mais importante de todas, e seu par masculino, o Deus. Essa Deusa Mãe é tida como, na verdade, uma Deusa Tríplice, a saber, "Donzela, Mãe e Anciã". As tríades são muito importantes para esta religião, assim como era para os antigos povos celtas, que estabeleciam muitas trindades: "Passado, Presente e Futuro", "Nascimento, Vida e Morte", "Corpo, Mente e Espírito" etc. Acontece que, dentro da religião Wicca, essa Deusa Tríplice pode ser entendida também sob o aspecto de outras deusas: como se as deusas das mais diversas culturas politeístas fossem manifestações da Deusa Tríplice. Assim, chega-se a falar, inclusive, em Ísis, Hécate ou mesmo na figura da Virgem Maria, como manifestações da Deusa Mãe (que nada mais é do que a personificação da natureza).
Há, portanto, uma influência de várias tradições politeístas dentro das várias vertentes da Wicca, mas todas tem como características principais a veneração à Deusa Mãe (que tem um papel de destaque), ao sagrado feminino e a crença no Deus masculino, que às vezes é associado com o deus celta Cernuno. De fato, existem muitos elementos da mitologia celta na Wicca, assim como de outras mitologias também, além, claro, de características próprias desta religião como os rituais de iniciação envolvendo feitiços e magia.
É, assim, uma religião moderna. Ainda que a Wicca seja inspirada nas crenças antigas dos povos pré-cristãos, possui muitos elementos próprios e particulares, como a participação em causas políticas ligadas ao feminismo (embora as antigas mulheres celtas, por exemplo, tivessem mais liberdade social em comparação com as cristãs da época, o feminismo em si é algo acrescentado somente na modernidade). Basicamente, então, acredita-se em dois deuses, e as diferentes divindades antigas seriam manifestações dessas duas divindades. O Deus masculino poderia ser representado, assim, tanto como o celta Cernuno quanto como o grego Dionísio, a depender da vertente da Wicca.
A Wicca é um dos diferentes movimentos neopagãos, cuja ideia central consiste numa junção de vários elementos de tradições politeístas diversas, como acontece, por exemplo, com Cernuno e Dionísio representando diferentes manifestações de um mesmo Deus. É curioso, no entanto, ressaltar algo importante sobre a deusa egípcia Ísis e a figura da Virgem Maria: apesar de muitos sustentarem que há semelhanças entre ambas, na verdade, não haveria quase nenhuma semelhança entre a deusa egípcia e a Maria cristã. Isto porque Ísis concebeu seu filho Hórus através da união carnal com Osíris, pois ela até chega a fabricar um órgão genital para seu marido Osíris quando este é morto e cortado em vários pedaços por Seth. Já a figura da Virgem Maria, pelo menos dentro da narrativa mítica que nos é apresentada nas Escrituras, concebeu o menino Jesus pela intervenção do Espírito Santo.
Sendo assim, a Wicca se firmou na atualidade como um dos mais importantes movimentos que pretende, à própria maneira, resgatar as crenças de várias culturas anteriores ao cristianismo, como o politeísmo celta, grego, nórdico ou egípcio. Diferencia-se, no entanto, do candomblé, assunto para outro post!

Excelente postagem Nícolas, não há como considerar a Virgem Maria como manifestação da deusa Mãe, pois é preciso ser uma divindade para tal, enquanto Maria é um santo ser humano no cristianismo, considerada Rainha do Céu e da Terra.
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