Manannan Mac Lir

    Manannan Mac Lir é o deus celta dos mares, membro do grupo de deuses chamados Tuatha Dé Danann. Mas também está associado ao Outro Mundo. Sabe-se que, para os celtas antigos, o Outro Mundo poderia ser acessado de diferentes formas, tais quais: dentro de túmulos, no subterrâneo das cavernas ou dos montes, nas profundidades dos lagos e poços, nas trincheiras de fortalezas e muralhas (heróis celtas vigiavam esses locais em caso de ataque de algum ser sobrenatural), ou então na borda do horizonte e, ainda, navegando em direção ao oceano desconhecido.

    No caso de Manannan Mac Lir, ele possuía uma terra sobrenatural, que às vezes é apontada como a ilha imaginária Mag Mell e, outras, como sendo a ilha Emain Ablach. Sua localização é debaixo das ondas do oceano, ou seja, trata-se de um reino imerso nas profundezas aquáticas. Neste lugar, haveriam frutos e maçãs, num constante clima de verão. Foi de lá que o deus dos mares presenteou os outros deuses Tuatha Dé Danann com a capa mágica que permite ao usuário ficar invisível. Ele também tinha porcos que poderiam ser mortos para a refeição e que, depois, reviviam. Manannan Mac Lir, assim, também está associado à magia.

    Em um dos contos, o Grande Rei Cormac (o mesmo da história sobre Tadg Mac Cein) recebe a visita de um guerreiro segurando um ramo de prata com maçãs de ouro que, quando se chocavam, produziam um som reconfortante. Ele entrega ao Rei Cormac o ramo de prata, pedindo três favores em troca. O guerreiro, assim, exige a filha e o filho do Grande Rei, que realiza a troca sem alegria, mas utiliza o ramo para se reconfortar. Porém, quando o guerreiro exigiu sua esposa e a levou, o Rei Cormac não pôde se conformar com a situação e parte numa perseguição a ele. No entanto, em meio à névoa, surgem dois estranhos que oferecem comida ao Rei e, então, ele adormece. Quando o Rei acorda, nota um belo cálice de ouro, e um dos anfitriões conta-lhe que o cálice se quebraria caso fossem contadas três mentiras. Para demonstrar, foram contadas três mentiras e o cálice se quebrou. Assim, o homem diz que ninguém fez nada de ruim à sua filha, esposa ou filho e, dito isto, o cálice, para o espanto do Grande Rei, retomou sua forma original.

    Foi quando Cormac percebeu que este anfitrião era o próprio guerreiro que veio com o ramo de prata, mas que, na verdade, era um deus metamorfo, ninguém menos que Manannan Mac Lir. Por isso ele assumiu as formas do guerreiro e do anfitrião. Esta história revela a capacidade de Manannan Mac Lir utilizar a magia para mudar de forma. Ao final, o Rei Cormac vê sua família e, ainda, recebe do deus o cálice, juntamente ao ramo de prata, dois preciosos presentes que vieram do Outro Mundo.



Imagem: PIXABAY


  

Comentários

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  2. Excelente postagem Nícolas, eu creio que o cálice de Mananan Mac Lir poderia se restaurar com três verdades, pois após ser destruido por três mentiras, o deus disse que seu filho, filha e esposa estavam bem, e o objeto mágico restaurou-se. Acredito que isto representa que a destruição provocada pela mentira, pode ser restaurada pela verdade, todas as ações que beneficiam. Ao meu ver foi usado o número três, pois para os celtas ele simboliza os Três Reinos Celtas: Céu, Terra e Mar. Ou seja, a mentira pode atingir o céus, mares e terra, e do mesmo modo a verdade. Havendo o germe de uma dicotomia equiparável entre bem e mal, como forças de igual potencial que fluem sobre o universo.

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    1. De fato, e o número três representa a tríade né, a tríade era algo sagrado para os antigos povos celtas.

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