Bran Mac Febal no Outro Mundo

    Não foi apenas Oisín que se aventurou nas misteriosas ilhas do Outro Mundo. Nesta postagem, falarei a respeito da história de Bran, o filho de Febal, e sua viagem até as ilhas distantes. Tudo começa quando uma mulher aparece até os aposentos da corte de Bran Mac Febal e lhe encanta com as muitas narrativas sobre essas ilhas paradisíacas, como aquela na qual não há tristeza, dor ou morte. Dessa forma, Bran navega com três tripulações, cada uma levando nove de seus homens.

    A primeira das ilhas em que eles chegam é a Ilha da Alegria, e um dos homens pula do navio em direção àquela ilha, mas só havia um problema: uma vez lá, ele nunca conseguiria retornar. Bran e os outros são, assim, obrigados a continuar a viagem, até chegarem à chamada Ilha das Mulheres, na qual também estava aquela mulher que veio à corte de Bran. Bran desembarca ali e se apaixona por ela, na terra do amor e dos desejos. Passam-se muitos anos, até que, um dia, Bran e seus homens sentem falta da Irlanda e resolvem retornar. Apesar dos alertas para que eles não pisassem no solo de onde vieram, os homens partem da ilha e chegam até a Irlanda novamente.

    Quando Bran e seus homens avistam as pessoas, nenhuma delas os reconhece, e um dos companheiros do filho de Febal salta do navio e pisa no solo, mas logo é completamente desintegrado - trata-se da mesma trágica aventura pela qual Oisín passou, mas, no seu caso, ele ficara velho, fraco e cego. Quando Bran, assim, viu um de seus homens se desintegrar bem na sua frente ao pisar no solo irlandês, compreendeu o que estava acontecendo: enquanto alguns anos haviam se passado na ilha misteriosa, séculos haviam se passado na Irlanda, por isso as pessoas que ali estavam não reconheceram a ele e aos seus homens. Bran, ciente do perigo, permanece em seu barco com seus homens e navegam para longe, logo após contar às pessoas tudo o que havia acontecido a ele. Depois disso, não se sabe mais nada a respeito de suas aventuras ou para onde ele foi.




 Imagens: PIXABAY

    

Comentários

  1. Nícolas, eu acredito que o fato de quem uma vez entrar na Ilha da Alegria, do Outro Mundo, nunca retornará, pode representar que a verdadeira alegria do ser humano está afastada das alegrias do mundo ordinário, advindo do mundo extraordinário, espiritual, sentindo-a, nunca mais desejaremos ter por maior as outras. Pode ser uma representação figurativa, semelhante ao idealismo de Platão, mas presente na cultura celta, que define a realidade concreta, visível, como inferior a abstrata, invisível.

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    1. Sim. Mas, ao mesmo tempo, essa felicidade espiritual na Ilha Paradisíaca é ambígua e incerta: ficar sorrindo por toda a eternidade, no fim das contas, pode ser uma tortura

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