Ásatrú e Vanatrú: os Mitos Nórdicos nos Dias de Hoje
Assim como existe a Wicca enquanto um grande movimento neopagão atual, também existe o Ásatrú e o Vanatrú. O Ásatrú refere-se às crenças nos deuses nórdicos Æsir, enquanto que o Vanatrú refere-se às crenças nos deuses Vanir.
Bom, o Ásatrú possui alguns princípios, ou seja, alguns valores a serem cultivados, mas não enquanto propriamente verdades absolutas. Devemos entender esses valores mais como guias de como se viver de maneira honrada e virtuosa. Assim, tem-se as chamadas nove virtudes: coragem, verdade, honra, lealdade, disciplina, hospitalidade, força de vontade, independência e perseverança.
Como dito, esses valores não são colocados com o intuito de serem seguidos à risca, mas, sim, como direções para o cultivo das virtudes. Essas virtudes são extraídas dos poemas nórdicos antigos, notadamente, a Edda (existe a Edda em prosa e em poema). Ásatrú e Vanatrú, portanto, são movimentos religiosos neopagãos que possuem como base o respeito aos ancestrais e à sabedoria dos antigos, pouco importando que a pessoa seja ou não nórdica de origem para participar dessa espiritualidade. Assim, o argumento de que uma pessoa precisa ter nascido nos países do norte da Europa para acreditar em seus deuses é totalmente inválido: seria a mesma coisa que dizer que todos os norte americanos deveriam acreditar em seus deuses nativos de origem, mas, como sabemos, muitos deles acreditam no Deus cristão cuja origem remonta ao outro lado do Oceano Atlântico.
Ou seja, qualquer pessoa de qualquer etnia pode cultuar os deuses nórdicos. Quanto aos rituais, lá na Idade Média, era comum que houvesse o sacrifício de animais por conta da sociedade ter sido essencialmente camponesa, o que não cabe mais nos dias de hoje e numa sociedade já modernizada que atende às mais diversas das nossas necessidades. Assim, os rituais da Ásatrú não incluem abater animais ou algo do gênero, mas, tão somente, oferenda de comida ou bebida alcoólica (hidromel) aos deuses. Esse ritual chama-se blót, e os sacerdotes da religião são os gođi. Não há no Ásatrú uma ideia de, por exemplo, seguir ao pé da letra as "palavras de Odin", muito menos uma ideia de que há uma interpretação dos poemas que seja a "oficial" ou a "canônica". Assim como na Wicca, o Ásatrú prega o contato com o mundo, com o natural. Se vivemos em grandes cidades onde não há muitos aspectos do mundo natural, não há problema nisso: o contato com a natureza pode ser tanto físico e corporal quanto no sentido espiritual. O Ásatrú não entra em aspectos políticos, com poucas exceções, no que se refere à preservação do meio ambiente.

Sim, Ásutru é semelhante com os nórdicos antigos no fato de não seguirem os deuses, mas apenas adora-los, oferecê-los ou orar por eles. Acredito que o motivo central desta religião é ressurgir apectos religiosos nacionais antigos, para o sentido espiritual humano. Ou seja, o homem precisa de saúde espiritual, então vamos consegui-la por meio de uma religião, que ressurja aspectos religiosos de uma cultura atrativa e nacional, a nórdica.
ResponderExcluirSim, verdade. A ideia me parece que nem é propriamente o resgate de um imaginário coletivo de caráter nacionalista, certo? Pois os próprios nórdicos eram um povo mais misturado do que se pensa, ou seja, me parece que nunca existiu de fato uma ideia de uma origem comum dos povos germânicos (talvez isso seja uma ideia só mesmo do romantismo, no século XIX). Assim, o fato de, por exemplo, alguém que não nasceu nos países nórdicos e, mesmo assim, acreditar em seus deuses, é algo que me soa bem razoável e compreensível.
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