Apolo
Apolo, na mitologia grega, é o deus do sol, da música e da cura, sendo muito amado por todos os deuses. Apolo e sua irmã Ártemis são filhos de Zeus com a titã Leto. Entre as façanhas realizadas por Apolo, ele conseguiu matar, com uma flecha, a enorme serpente Píton enviada por Hera com o propósito de eliminar sua mãe, Leto. Claramente, Hera queria se vingar pelo fato de Zeus se comportar de maneira descompromissada, tendo filhos com outras esposas fora da união conjugal (como é o caso com a titã Leto).
No entanto, apesar de Apolo ser um deus belo e amado, também pode ser - como qualquer deus - cruel e impulsivo. Foi o caso de quando a esposa do rei de Tebas, chamada Níobe, ofendeu Leto dizendo que, enquanto ela teve 14 filhos, a titã conseguiu dar à luz apenas 2 filhos: Apolo e Ártemis. Apolo e Ártemis, como punição pelo insulto de Níobe, mataram a flechadas todos os seus sete filhos e todas as suas sete filhas. Apolo, ainda, demonstra sua fúria em outra ocasião, na qual o sátiro Mársias lança um desafio ao deus para uma competição de música, sendo que o vencedor teria de punir o perdedor. Assim, Apolo venceu-lhe e, como punição, esfolou o sátiro. Sim, é possível dizer que Apolo tem dois lados, mas quase todos os deuses gregos também são moralmente ambíguos.
Na Ilíada de Homero, a filha do rei Príamo, Cassandra, recebe de Apolo o dom de prever o futuro, mas, quando esta o recusou como marido, Apolo se vingou fazendo com que ninguém acreditasse em suas profecias - embora fossem sempre verdadeiras. Ainda que na literatura moderna Apolo seja associado exclusivamente à harmonia, à moderação e à racionalidade (por conta do próprio conceito de espírito apolíneo desenvolvido pelo filósofo Friedrich Nietzsche com o propósito de contrapô-lo ao espírito dionisíaco), também podemos observar o caráter malicioso e impulsivo de Apolo, que às vezes não é tão destacado como parte de sua personalidade divina.

Excelente postagem Nícolas, na própria mitologia grega Apolo era caracterizado com ambiguidade, pois é deus das doenças, pragas, cura, proteção contra as forças malignas, perfeição, harmonia, razão etc. Creio que sua harmonia consistia na aplicação perfeita do bem e mal, moderada, uso sábio destas duas forças. Os jônios ou gregos talvez compreendiam que o mal não anulava o bem, ou vice-versa, mas devia haver um equilíbrio para a perfeição. Assemelhando ao ying e yang do taoísmo.
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