Richard Wagner e a Mitologia Nórdica

    Richard Wagner (1813-1883) foi um compositor alemão de grande destaque no século XIX, conhecido por ter resgatado a mitologia nórdica e a introduzido em suas óperas e peças musicais. Assim, por exemplo, temos a ópera O Anel do Nibelungo, dividida em quatro partes - O Ouro do Reno, A Valquíria, Siegfried e O Crepúsculo dos Deuses. A parte A Valquíria é mais conhecida por uma passagem musical específica, já utilizada em muitos filmes do cinema atual: Cavalgada das Valquírias.

     Foram com as peças musicais de Wagner, que abrangiam não apenas a música em si como também o drama e a encenação dos personagens, que, por exemplo, os famosos chifres nos elmos (que nunca existiram) tornaram-se populares no imaginário sobre os antigos vikings germânicos. Richard Wagner também faz uma interpretação própria do mito, colocando na sua composição artística de O Anel do Nibelungo um pouco de sua própria visão de mundo pessimista acerca da natureza humana - visão essa muito influenciada pelo filósofo alemão Arthur Schopenhauer (1788-1860).

    Assim, encontramos em O Anel do Nibelungo muitos elementos da mitologia nórdica, tal como o anel amaldiçoado, as guerreiras valquírias, o herói lendário Siegfried e, até mesmo, o Ragnarok (O Crepúsculo dos Deuses). Existe, inclusive, uma premiada versão adaptada em quadrinhos da ópera de Wagner, também com o nome O Anel do Nibelungo, de P. Craig Russell.

    Richard Wagner, assim, baseia-se na mitologia nórdica para criar sua própria versão de acordo com suas próprias visões, influenciando também outros artistas e escritores. Um dos filósofos que Wagner chegou a influenciar, por exemplo, foi ninguém menos que Friedrich Nietzsche (1844-1900), mas este rompe com o compositor posteriormente.

    Por fim, é de suma importância fazer uma ressalva: é de conhecimento geral que, infelizmente, as músicas compostas por Wagner foram usadas e apropriadas, no século seguinte, pelos nazistas e por Hitler, que as transformaram numa forma de propaganda para os ideais totalitários e racistas do Partido Nacional-Socialista. No entanto, após o fim da Segunda Guerra Mundial, procurou-se deixar de lado a ideia de que a música ou obra de Wagner fosse alemã ou nacional, para passar a ser, de fato, universal e de toda a humanidade. Aliás, o próprio mito (a base intrínseca para a obra musical de Wagner) possui essa característica, ou seja, de ser algo universal e comum à natureza humana como um todo.



Imagem: PIXABAY
  

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