Giuseppe Verdi e a Mitologia Egípcia

    Não foi apenas Richard Wagner que se utilizou do mito para compor suas óperas no século XIX, mas, também, o italiano Giuseppe Verdi (1813-1901). Ambos são compositores situados no período do romantismo, mas, se Wagner se inspirou na mitologia nórdica e germânica, o italiano Verdi, por sua vez, inspirou-se numa civilização antiga que vinha sendo cada vez mais descoberta pela arqueologia: o Egito.

    De fato, no século XIX, com as escavações arqueológicas, descobria-se muito sobre esta civilização milenar, o que fascinava a muitos artistas da época. Com Verdi, não foi diferente. O compositor italiano, em uma de suas óperas mais famosas, Aida, dividida em quatro atos, utilizou o cenário do Antigo Egito, bem como sua mitologia, como fonte de inspiração para uma reinterpretação moderna.

    Assim, Verdi não apenas resgata algo de épico ou mitológico numa espécie de revivificação de um imaginário coletivo - como alguns podem induzir -, mas, sobretudo, ele compõe uma ópera sobre os sentimentos e paixões dos indivíduos, e não apenas de um coletivismo abstrato ou vago.

    Na história da Aida, temos quatro atos: no primeiro ato, Radamés, o comandante de guerra egípcio, a pedido da deusa Ísis (esposa zelosa de Osíris e mãe de Hórus; muito cultuada no Egito Antigo), luta contra os etíopes e retorna triunfante (ao som da famosa e frenética Marcha Triunfal), enquanto que Aida, filha do rei da Etiópia, se torna escrava no Egito; no segundo ato, a filha do faraó egípcio, Amneris, sente ciúmes por perceber o amor de Radamés pela escrava Aida, mas, novamente, há outra batalha e Radamés retorna em sua glória, tendo capturado o pai de Aida, que é o rei etíope chamado Amonasro; no terceiro ato, Aida é obrigada pelo pai, também transformado em escravo, a convencer Radamés por meio de seu amor a fugirem, mas Radamés apenas deixa que os dois fujam de volta à própria pátria, enquanto que ele mesmo não poderia segui-los; no quarto e último ato, por fim, Radamés é acusado de traição e condenado a ser enterrado vivo, mas, surpreendentemente, Aida o espera em seu túmulo para ir com ele até a vida após a morte, e ambos morrem.

    É notório o caráter romântico da composição de Verdi, como era próprio da época, mas Verdi faz algo além do que resgatar o mito: ele inclui sentimentos como senso de dever, ciúme, traição, e paixões que realçam os próprios personagens ali envolvidos, apesar do cenário épico maior. Além disso, também existe o elemento da vida após a morte, uma forte crença dos egípcios antigos que é retomada por Verdi. De toda forma, Verdi resgata a mitologia egípcia e coloca também suas próprias interpretações dentro deste contexto, o que o tornou um dos compositores mais famosos do século XIX. Verdi foi um compositor que escreveu músicas com ritmos intensos e incrivelmente frenéticos, como é o caso não só de Aida, como também de La Traviata, La Forza Del Destino e I Vespri Siciliani.




 
 





  



Imagens: PIXABAY
    

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