Politeísmo ou Monoteísmo?
As três grandes religiões monoteístas conhecidas são o judaísmo, o cristianismo e o islamismo. Podemos dizer, via de regra, que o monoteísmo é relativamente recente na história da humanidade, uma vez que os povos mais antigos eram politeístas. Mas o que isso quer dizer exatamente?
Nas religiões politeístas, tal como na Antiga Suméria, no Antigo Egito, na Antiga Grécia, na Escandinávia ou na Britânia, havia a crença de que cada elemento ou força da natureza representaria uma divindade. Assim, os deuses tinham atributos diversos, o que significa dizer, a título de exemplo, que Ares, o deus da guerra, não podia controlar os raios e relâmpagos (atributo de Zeus) nem as ondas do mar (atributo de Poseidon). Assim, isso significa dizer que os deuses não são onipotentes, pois cada um se limita a controlar uma parte da natureza. Até mesmo o soberano do Olimpo, Zeus, não possui o atributo da onipotência, pois ele está restrito a governar o que pertence aos seus domínios, enquanto que o submundo pertence a Hades e o mar pertence a Poseidon.
No entanto, existe outro elemento característico das antigas religiões politeístas: a crença no destino. De fato, se as forças dos deuses se manifestam nos fenômenos da natureza, então os destinos dos homens estariam já moldados pelos deuses. Édipo, por exemplo, não pôde escapar de seu destino de matar o pai (sem que ele soubesse que se tratava de seu próprio pai) e casar com a mãe (também ignorando esse fato, uma vez que cresceu em outro reino, longe de seus pais), e, ao cumprir esse destino trágico, Édipo castigou-se ao furar os próprios olhos. Mas também encontramos isso na Ilíada e na Odisseia de Homero: o destino de Aquiles era morrer em batalha, enquanto que o de Odisseu (Ulisses) era retornar à Ítaca depois de 20 longos anos.
Também para os antigos povos germânicos isso era verdadeiro: eles viam sinais na natureza de bom ou mau presságio, e enxergavam as ações dos deuses em quase todo e qualquer fenômeno da natureza, pois havia também um certo misticismo e superstição religiosa. De fato, a presença do corvo significava, por exemplo, que Wotan (Odin) estava observando os homens. O destino de todos já estava traçado pelas três nornas fiandeiras da grande árvore do mundo, Yggdrasil, e não havia nada que os homens - ou os deuses - pudessem fazer quanto a isso.
Já nas religiões monoteístas, existe a figura de um Deus Todo Poderoso, que é o responsável por todas as forças e fenômenos da natureza, e este Deus único não divide seu domínio com nenhum outro, uma vez que Ele é onipotente. No cristianismo, Deus cria o mundo a partir do nada, e também possui - assim como acontece com os deuses pagãos - o controle do destino dos homens. Existe a doutrina do livre arbítrio sim, mas, no que se refere à salvação espiritual, Deus é quem escolhe previamente quem receberá a Graça, sendo que a realização de boas obras é, na verdade, uma consequência dessa predestinação. Essas são, em linhas gerais, as semelhanças e as diferenças entre as antigas crenças pagãs e as religiões monoteístas.
Imagens: PIXABAY



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