O Dia do Juízo Final na Bíblia

    Assim como, nas postagens anteriores, foi visto a crença dos antigos egípcios e dos antigos povos nórdicos na vida após a morte, para completar esse assunto, falta falar um pouco a respeito da visão bíblica sobre essa temática.

    Tanto os hebreus quanto os cristãos são monoteístas, e os primeiros possuem como seu compilado escrito de crenças e doutrinas os livros do chamado Antigo Testamento. Já os cristãos encontram suas doutrinas mais específicas no Novo Testamento, com base na figura do messias que seria a ponte entre Deus e os homens. Um detalhe interessante é que houve, entre os primeiros cristãos, a formação de um cânone dos textos que entrariam para o Novo Testamento. Sendo assim, o que nos interessa é o tema do Juízo Final: de acordo com a versão presente em textos mais antigos, todas as pessoas que morriam não seriam imediatamente julgadas, mas, sim, adormeceriam até o Dia do Juízo Final, no qual todos os mortos ressuscitariam em seus corpos (com carne e osso - não no sentido meramente espiritual) e seriam julgados de maneira coletiva pela segunda vinda do messias, Jesus Cristo.

    Acontece que, com o passar do tempo, a própria noção de indivíduo começa a surgir, fazendo com que a noção do julgamento final passasse a ser compreendida de outra maneira: imediatamente após a morte, as pessoas seriam julgadas individualmente pelos atos que cometeu e, aí sim, iriam ou para o paraíso ou para o inferno. No entanto, para aqueles que cometeram pecados não tão graves, poderiam se redimir num lugar chamado de purgatório. Assim, formou-se a compreensão de que haveria esse julgamento individual num primeiro momento (logo após a morte do indivíduo) e, no Dia do Juízo Final, haveria o julgamento definitivo - mas, até lá, os mortos não estariam adormecendo.

    E, ainda, há uma terceira possibilidade, que é o limbo: no limbo, estariam aquelas almas boas, porém que nunca foram convertidas ao cristianismo ou batizadas. O limbo é como se fosse um lugar neutro - diferente do purgatório, em que a pessoa se redime de seus pecados para ir ao paraíso -, ou seja, um lugar que estaria à margem, no esquecimento. Segundo Dante Alighieri, o limbo seria o lugar de destino para os pagãos virtuosos, como por exemplo Homero (o autor da Ilíada e da Odisseia), Sócrates, Platão, Aristóteles e Epicuro. Com todos esses ilustres nomes, não poderia ser, de fato, um lugar tão ruim assim.



      

Imagem: PIXABAY

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