Mitologia Asteca

    Ometecuhtli era o deus supremo da criação, e ele teve quatro filhos: Xipe-Totec, Quetzalcóatl, Huitzilopochtli e Tezcatlipoca Negro. Mas os deuses rivais, Quetzalcóatl e Tezcatlipoca, precisaram se unir para criar o mundo tal como o conhecemos, e eles tinham de matar uma besta primordial que vivia nas águas, Cipactli. Assim, Tezcatlipoca Negro arrancou o próprio pé para servir de isca ao monstro e, no momento certo, os dois irmãos atacaram e mataram Cipactli. Mas, uma vez que o mundo foi criado, era a vez de governá-lo, e os deuses iriam disputar entre si para isso. Foram criados inúmeros outros deuses para ajudar a criar os seres mortais que os adorariam, mas são Quetzalcóatl e Tezcatlipoca quem recebem o destaque no mito. 

    No total, houveram cinco tentativas para criar a humanidade. Na primeira, Tezcatlipoca assume seu papel como criador, mas é deposto por Quetzalcóatl. Na segunda, foi a vez de Quetzalcóatl transformar-se no sol e no criador, mas Tezcatlipoca destruiu tudo. Na terceira, entra em cena o deus da chuva, Tlaloc, mas que também fracassa devido ao dilúvio enviado por Quetzalcóatl. Na quarta tentativa, é Chalchiuhtlicue, a esposa do deus Tlaloc que se transforma no sol, mas, assim como nas tentativas anteriores, foi tudo destruído.

    É quando os deuses rivais percebem que deveriam colaborar uns com os outros para que a humanidade fosse criada. Quetzalcóatl, então, desceu até o submundo asteca, o Mictlan, e recolheu os ossos de todas as criaturas que haviam morrido, retornando à superfície e, com seu próprio sangue misturado nos ossos, criou os seres humanos.

    Finalmente, a criação iniciada por Ometecuhtli estava completa e Quetzalcóatl reinou soberano, até que seu irmão Tezcatlipoca Negro resolveu ludibriá-lo, oferecendo-lhe vinho: Quetzalcóatl, embriagado, foi instigado pelo irmão a ter relações incestuosas com a própria irmã, Quetzalpetlatl. Quando Quetzalcóatl voltou a si, ficou tão envergonhado pelo que fez que deixou sua cidade e navegou para longe, mas prometendo que, um dia, retornaria ao seu povo.

    Para os antigos astecas, realizavam-se os sacrifícios humanos da mesma forma que os próprios deuses se sacrificaram para criar o mundo, mas Quetzalcóatl, a serpente emplumada, é uma exceção, pois não exigia que fossem realizados sacrifícios a ele. Quetzalcóatl era apontado como um deus bom, ao contrário de Tezcatlipoca, que é retratado como um deus mau e violento, e que exigia muitos sacrifícios.

    Hernán Cortés, o conquistador espanhol, ao chegar na Mesoamérica, foi associado pelos astecas como alguém enviado pelo próprio deus Quetzalcóatl, que prometera que um dia retornaria! Assim, os conquistadores espanhóis aproveitaram-se da situação para, enfim, destruir o Império Asteca.



Imagem: PIXABAY

 
 

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