Mitologia dos Nativos Norte-Americanos: o Coiote
Quando se pensa em alguma figura mitológica com muitos ardis e trapaças, podemos nos lembrar do deus Seth da mitologia egípcia, do próprio Odisseu nos poemas de Homero ou no Loki, o deus das trapaças nórdico. Porém, uma das figuras mais ardilosas de todas é ninguém menos que o trickster Coiote, segundo os mitos dos nativos de diversas tribos da América do Norte (como os navajos, no sudoeste dos EUA). O Coiote possui uma personalidade ambígua, com alguns dos mitos retratando-o como um deus bondoso, mas a maioria o coloca como um ser maligno e extremamente traiçoeiro. O deus da enganação possui a aparência do animal coiote num corpo humano.
Em uma de suas histórias, o Coiote tentou criar as pessoas, tal como o deus Wonomi, mas, ao falhar, decidiu causar males aos seres humanos criados por Wonomi, enviando-lhes a doença e o sofrimento. Já em outra das histórias, o Coiote avistou uma grande pedra que, na verdade, era um espírito poderoso que tomou aquela forma, e ele não se deu ao trabalho de deixar o próprio cobertor que o protegia da chuva fria em cima de uma "simples" pedra, mas o espírito não gostou daquilo. Dessa forma, o Coiote se deu conta de que a enorme pedra estava rolando atrás dele para castigá-lo, e foi esmagado por ela (assim como acontece inúmeras vezes com o Coiote do desenho animado Papa-Léguas).
Mas o Coiote do mito também tinha seu lado mais obscuro, pois ele teve várias relações incestuosas para satisfazer seu apetite sexual, além de enganar as mulheres com o intuito de seduzi-las, passando-se pelos seus maridos.
O Coiote é um dos deuses mais traiçoeiros de todos, e as diversas tribos norte-americanas possuíam diferentes histórias sobre ele, retratando desde suas atitudes benignas e comportamentos inocentes como suas atitudes egoístas e até mesmo masoquistas. Com os erros do Coiote, os antigos povos indígenas norte-americanos transmitiam seus ensinamentos sobre o comportamento.
Imagem: PIXABAY

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