Odisseu de Volta à Ítaca
Depois de ter sobrevivido às sereias com seu ardil, era a vez de Odisseu fazer uma difícil escolha: teria que passar com seu barco por um de dois caminhos terríveis. De um lado, um monstro marinho de seis cabeças chamado Cila e, de outro, um turbilhão no meio do mar, Caribde, que a tudo sugava para dentro. Odisseu escolheu passar por Cila.
Assim, aconteceu-lhe a pior das tragédias até então: o monstro marinho agarrou seis de seus companheiros e os comeu entre os gritos por ajuda, sendo que Odisseu não conseguira salvá-los da morte terrível. Mas Odisseu e os outros sobreviventes conseguiram deixar para trás Cila e Caribde, seguindo a jornada. Foi quando chegaram a uma ilha com um enorme rebanho de ovelhas e uma manada de vacas que pertencia ao deus Hélio. E Odisseu sabia que não deveriam comer nenhuma daquelas ovelhas ou vacas, pois isto resultaria numa grande tragédia. No entanto, Euríloco dava conselhos aos outros homens quando Odisseu estava por um minuto ausente, entrando com eles no acordo de que preferiam ser mortos de uma só vez pela cólera de Hélio do que morrer aos poucos de fome, sem comer das vacas. E os sócios de Odisseu comeram as vacas.
Assim, Odisseu rapidamente os trouxe de volta ao barco para saírem de lá o mais rápido possível, porém já era tarde: uma nuvem sombria apareceu e um trovão destruiu todo o navio, numa violência súbita e caótica. Odisseu, no entanto, conseguiu correr até a carena e amarrá-la ao mastro com o calabre do barco, e com as mãos remou para longe de Cila e de Caribde, pois as ondas do mar quase o trouxeram de volta para lá. Foi Odisseu o único sobrevivente. Então, ele foi parar numa ilha, onde habitava a deusa Calipso. Como o herói grego estava perdido, ele ficou lá por muito tempo e foi amado por Calipso, até que a deusa ofereceu-lhe a imortalidade.
Mas Odisseu tinha um desejo tão grande de, um dia, retornar à Ítaca, que recusa a oferta da deusa e parte da ilha com um barco que ele próprio construíra. Depois de um total de 20 anos após sair de Ítaca para ir à guerra contra Tróia, Odisseu, finalmente, avistou Ítaca. Claro, todos em Ítaca achavam que Odisseu tinha morrido, mas ele conseguiu retornar após tanto sofrer. Mas Odisseu não queria ser reconhecido ainda, pois haviam pretendentes ao trono e a esposar Penélope. Foi quando seu cão, Argos, que antes era belo e imponente, estava deitado em cima do esterco e - depois de vinte anos - viu seu dono. Neste exato momento, o cão envelhecido de Odisseu acabou falecendo, mas cumpriu seu destino de ver novamente seu dono. E Odisseu derramou uma lágrima pelo seu fiel e antigo companheiro.
Penélope, assim, anunciou um desafio, que consistia em atirar uma flecha entre os orifícios de doze machados enfileirados. Aquele que conseguisse fazer isso seria o novo rei de Ítaca. E Odisseu, disfarçado de um mendigo, pegou o arco e conseguiu atirar a flecha entre os doze machados. Mas ainda não era o fim: os demais pretendentes atacaram o mendigo, e Odisseu puxou sua espada, matando a todos eles.
Foi assim que Odisseu reconquistou seu reino, e, enfim, viu Penélope novamente. Quando Penélope o reconheceu, foi o derradeiro momento no qual a jornada de Odisseu chegara ao fim, e ele voltou a ser, novamente, o rei de Ítaca após 20 longos anos de muitas aventuras e tragédias.
Imagem: PIXABAY

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