Beowulf
Beowulf. A história se passa no antigo mundo germânico, no antigo mundo pagão, mas só foi compilada por escrito após a chegada do Cristianismo. Beowulf é um guerreiro da região ao sul da Suécia, Gotalândia (Geatland), que foi até as costas da Dinamarca em direção ao grande salão de festas do rei Hrothgar, convocado por este. O salão do rei era invadido por uma criatura terrível, descendente do próprio Caim, que agarrava trinta guerreiros e os massacrava, para então devorá-los, deixando o salão todo coberto com tripas e restos mortais. Seu nome era Grendel. E o rei Hrothgar negociara com Beowulf a respeito, para que ele matasse Grendel.
E Beowulf era tão forte quanto um urso: ele tinha a força equivalente a trinta homens juntos. Assim, o herói do poema anglo-saxão escolhe lutar contra a criatura Grendel sem usar armas, apenas com as mãos nuas (ou mesmo sem roupas, conforme algumas versões). Beowulf e Grendel medem forças e, após uma longa luta, Beowulf consegue agarrar o braço da criatura e, com força, o arranca. Grendel, então, é forçado a abandonar a luta e sai cambaleando para fora do salão, floresta adentro. Beowulf ergue o braço ensanguentado de Grendel como troféu e faz sua reputação.
Mas não termina aí, pois Grendel, agora morto após perder tanto sangue, tinha uma mãe, e ela desejava vingança. A mãe de Grendel é descrita como uma ogra monstruosa que, na história, foi até o salão do rei Hrothgar e matou muitos dos homens, chamando Beowulf até seu esconderijo embaixo d'água. Assim, Beowulf mergulhou, passando por serpentes na superfície e outras bestas, até que, quando chegou ao fundo das águas, as ondas fecharam-se acima dele, e agora o herói em busca de glória estava na casa dos monstros.
Foi quando apareceu a mãe de Grendel, que o atacou com voracidade, mas seus dedos afiados não conseguiram perfurar a cota de malha do guerreiro de Geatland, mas, ainda assim, Beowulf encontrava-se em desvantagem. Eles travaram combates corpo a corpo, Beowulf a agarrou pelos ombros e jogou-a no chão, e ela revidou. Beowulf estava com sérios problemas, e a mãe de Grendel não parava de atacá-lo, quando ele viu uma espada entre as armaduras do esconderijo que lhe chamou a atenção: era uma espada que pertencera a um gigante em tempos antigos.
Assim, Beowulf levantou a enorme espada e, num grito de fúria, girou-a com o punho sobre o pescoço da terrível criatura, cortando-lhe a cabeça que caiu ao chão. Mais uma vez, Beowulf, o guerreiro de Geatland, havia feito sua reputação. E o tempo se passou. Beowulf voltou à sua terra e se tornou rei, envelhecendo.
No entanto, uma última batalha ainda lhe aguardava. Um enorme dragão que cuspia fogo e espalhava o caos ao seu povo, e o guerreiro reuniu seus melhores homens para irem ao encalço do dragão em sua caverna. Porém, dentre os guerreiros, só um teve a coragem de prosseguir junto com Beowulf, um jovem chamado Wiglaf. Quando Beowulf encontrou o dragão, deu um grito de guerra, levantando seu escudo e erguendo sua espada. O confronto começou, e ambos atacavam brutalmente, tanto o rei de Geatland quanto a amedrontadora serpente voadora, quando Beowulf acerta com sua espada, por baixo, um golpe letal no corpo do terrível oponente. O dragão, fraquejando, cuspiu seu fogo em cima de Beowulf, e a besta finalmente caiu, morta. Mas este também era o fim de Beowulf, morto em batalha. Wiglaf iria sucedê-lo, ao ver seu rei morto pelo calor do fogo que o envolveu.
Beowulf conquistou toda a glória e sua reputação como um guerreiro, e morreu como um guerreiro. Esse é o pequeno resumo da história deste poema épico, sobre o percurso de um herói germânico, e que em cuja lenda foram acrescentados elementos do Cristianismo, como a menção a Caim, ainda que possamos ver algumas características de sua origem mais antiga e pagã - como o seu desejo por glória e reputação.

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